
19.3.08
Cativa

17.3.08
Remember me
...With you my life, my life
Has been so wonderful
I need your love
I need you to hold
All day and all night
Remember me
Don't ever forget me child
We are all only here
Just for a little while
Please, please, remember me...*
Desejar que os dias passem direitos como uma flecha apontada ao coração. Querer olhar para trás sem ser apanhado nessa fraqueza. Mas diz-me, não moramos todos sob o jugo dos mesmos quereres? A bala que disparaste ao teu futuro fez ricochete e juntou-nos. Ainda bem.
*Otis Redding by Cat Power
10.3.08
Perdoai, que eles não sabem o que fazem
Querer agarrar os dias à força de rédeas invisíveis que há muito escorregaram dos dedos.
As mãos já não semeam, plantam ou colhem, são estéreis como a pedra macia que me nasceu no peito.
Querer agora que passem cem anos num segundo, fechar os olhos com força e desejar-te aqui, agora que já não queres.
Olhei-te com tanto sangue que me esvaí a teus pés e ao teu desprezo.
Liberta-me do chão onde me deixaste entranhar. És tu a culpa e o sol que me acordam de manhã.
it doesn't matter if we all die.
A vida às vezes é filha da puta, mas essa tal puta, coitada, com tantos rebentos por esse mundo fora, não tem a culpa da vida que eles escolheram.
6.3.08
Porém, Cahit renasceu das cinzas e Sibel nunca mais se tentou suicidar.
5.3.08
Trust (does anybody these days?)
Robert Smith na sua pálida e negra criatividade existe para semear um caminho de melancolia por onde quer que passe. Lisboa com certeza não será excepção no próximo dia 8. Espero de mãos postas juntar-me à procissão dos enfermos e prevejo que os sintomas da doença se prolonguem, pelo menos, até meados do mês. Desejo as melhoras a médio prazo aos meus pares e a tumba para quem não sabe do que estou a falar. No hard feelings.
there's no-one left in the world that i can hold on to. there is really no-one left at all. there is only you.
4.3.08
Contra a parede

25.2.08
hoje não

20.2.08
Chan Marshall

Parece que esta gaiata vais estar novamente entre nós. Batam em latas! Estalem chicotes! Que desta vez vamos estar juntas! (na mesma sala pelo menos). Admiro-a sobretudo pela simplicidade. Pela forma como é linda, como canta, como compõe, como leva a vida, como sussurra you are free, como se vicia em tudo, como erra, como ser complexo que é e, ainda assim, como consegue ficar perfeita de franjinha, cara lavada, sardas e um campo de flores por trás. Sou assim todas as noites nos meus sonhos.
18.2.08
Chuva

14.2.08
Porque o Dylan diz muito mais que esse tal de Valentim
...Now, little boy lost, he takes himself so seriously
He brags of his misery, he likes to live dangerously
And when bringing her name up
He speaks of a farewell kiss to me
He's sure got a lotta gall to be so useless and all
Muttering small talk at the wall while I'm in the hall
How can I explain?
Oh, it's so hard to get on
And these visions of Johanna, they kept me up past the dawn...
7.2.08
castigo dos deuses
Se eu não estava bem melhor só com o meu presentezinho, sempre fresco, sempre acabado de viver e sem pó ou teias de aranha a atrapalhar-me os movimentos.
Quer-me parecer que assim provavelmente seria um peixe, sempre perdida algures num oceano inteiro para descobrir porque sem memória suficiente para saber onde já tinha estado. Dory?
31.1.08
30.1.08
nostalgia da infância

Alguém um dia me disse que quando ouve falar de nostalgia de infância leva imediatamente a mão à carteira. Hoje é um desses dias. Não confiem em mim, que eu estou com a cabeça enfiada no baú das recordações.
28.1.08
A propósito
O sérgio faz-me lembrar que gosto de estar apaixonada por quem estou. Que a vida é bonita. E que os amores são o olhar cúmplice no brinde da noite.Os amores são facas de dois gumes têm de um lado a paixão, doutro os ciúmes. São desencantos que vivem encantados como velas que ardem por dois lados.
Aos amores!
Brindemos aos amores!
19.1.08
Inocência
Pra que mentirse tu ainda não tens
Esse dom de saber iludir?
Pra quê?! Pra que mentir
Se não há necessidade de me trair?
Pra que mentir, se tu ainda não tens
A malícia de toda mulher?
Pra que mentir se eu sei que gostas de outro
Que te diz que não te quer?
Pra que mentir
Tanto assim
Se tu sabes que eu já sei
Que tu não gostas de mim?!
Se tu sabes que eu te quero
Apesar de ser traído
Pelo teu ódio sincero
Ou por teu amor fingido?!
Texto: Noel Rosa
Às vezes olho por cima do ombro ou escuto uma conversa entrelinhas (ou ligo a tv) e pergunto-me com que pedra e com que cal se constróiem as relações nos dias de hoje.
16.1.08
12.1.08
Beauvoir e Sartre

Penso que a tão conhecida metonímia "cigarro pensativo" seria pobremente substituída por um café pensativo ou até, para os mais saudáveizinhos, por um néctar de manga laranja pensativo.
Alguém já pensou no bem que o esfumaçar cigarros faz à mente humana? Que enegreçam os pulmões, p'lo bem do intelecto!
9.1.08
Pequenos Castigos

6.1.08
Desalinho
Essas pessoas estão perfeitamente incluídas (ou absorvidas pela) na sociedade: vestem-se como é suposto vestirem-se, dizem o que é suposto dizerem e pensam o que é suposto pensarem. Têm por princípio pensar em e nunca pensar sobre. Pensam em trabalho, na família, nos amigos, na namorada, em sexo, em férias, mas não se conhece nenhum caso de sucesso em que a fronteira tenha sido ultrapassada. O pensar sobre é um crime social porque está perigosamente ligado à mão no queixo, ao raciocínio, ao perceber a ligação entre os acontecimentos, questioná-los. Não se questiona nada quando se está no caminho para a Felicidade: casa e carro a prestações, marido, filhos e um PPR que é só vantagens.
Eu sou uma pessoa que não sabe o que quer. Portanto nada do que disse atrás se aplica à minha realidade. Olho para o futuro e vejo nevoeiro denso, opaco mesmo. Olho para o presente e há poeira num trilho de areia em que há pedra, silva, vala, montanha, vento e tempestade. Tenho a roupa colada a suor e pó ao corpo e os ténis sujos e rasgados.
Nunca vi uma placa. Às vezes tentei, como os antigos, decifrar augúrios divinos no vôo das aves ou nas tripas de um animal atropelado, mas nada de revelador.
As minhas incursões na sociedade têem sido feitas pela porta das traseiras, às escondidas e sem ter bem a certeza se era ali que queria estar. Mas como me vesti do avesso, não consegui permanecer muito tempo sem ser descoberta e expulsa.
Muitas das decisões que tomei na vida foram às cegas e sem saber o que me esperava do outro lado da porta. Às vezes era apenas uma porta pintada na parede, mas eu mesmo assim corria para ela. Tinha esperança até ao último minuto que ela se fizesse porta e se abrisse para mim. Só porque sim. Só pela esperança … Essa, surpreendentemente, nunca desentranhou.
eu não quero estar parado. fico velho. vou marchar até ao fim. isolado. nesta marcha solitária. dou o corpo ao avançar. neste campo aberto ao céu.
ninguém sabe para onde eu vou. ninguém manda em quem eu sou. sem cor nem deus nem fado. eu estou desalinhado.>
29.12.07
candy not "candide"
PS: post assumidamente escrito em estado de ressaca do filme Hard Candy (2005). Não gostei assim por aí além, ou seja, não gostei muito, mas faz pensar numa polémica ou duas.
