O passado que ainda palpita deve ser devidamente assassinado.
Apalpar-lhe a carótida, sentir o pulsar e a sua localização exacta e, com o gume afiado da faca, forçar o corte.
O passado que ainda palpita deve ser devidamente assassinado.
Apalpar-lhe a carótida, sentir o pulsar e a sua localização exacta e, com o gume afiado da faca, forçar o corte.
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
(CDA)
Um tempo que passou, Sérgio Godinho & Chico Buarque
**
(se este fernando cunha não estava tão melhor a fazer isto...)
A propósito da notícia sobre a abertura ao público do processo Bonnie&Clyde pelo FBI, sinto-me impelida a falar de liberdade. Não condeno nem perdoo esta dupla pelos crimes que cometeu, mas invejo-os pelo que sentiram durante esses dois anos de fuga. Penso que não haverá maior liberdade do que estar sempre na iminência de a perder. Todos nós, os mortais, jamais sentiremos a vida a pulsar nas veias como tambores primordiais; jamais, como eles, seremos baleados até a vida, a dignidade e a beleza (mas não a memória) abandonar o corpo desfeito.