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24.5.10

all love songs are sad songs


Brewton, Alabama at The Colonial Inn,
Hot day, old orange juice and vodka on a night stand.
There's a Chevy Nova with the seat burned out the back
From a Winston cigarette that was sthumped into the window.
Bobby Long was like Zorba the Greek,
Side-tracked by the scent of a woman.
Could've been an actor on the moviescreen,
Stayed in Alabama just a dreamer of dreams.
He played football against W.S. Neil
Should've seen him running down the field.
I grow old, I grow old, I wear the bottoms of my
Trousers rolled.
It's a love song for Bobby Long.
A love song for Bobby Long.

He was a handsome man, he had Cherokee cheeckbones.
A fair haired boy, where did he go wrong?
He chose the road less travelled, made all the difference.
Now he's chastized, criticized, he don't make no sense.
Brewton called him crazy, said Bobby Long was nothing but a drunk.
But all the thoughts in his head was way passed anything they done thunk.
It's a love song for Bobby Long.
A love song for Bobby Long.

But don't get me wrong, Bobby Long wasn't no good.
He'd drag you down if he thought he could, Well he would, drag you down.
The road I ride will be the death of me.Won't you come along?
The road I ride is gonna set me free.It's gonna take me home.
He was a friend of my papa's he used to drink and tell lies.
Praised Flannery O'Connors, smoked cigarettes and philosophied.
So here I am at The Colonial Inn.
Me and Cap'n Long and my pretty girl-friend.
Well he charmes her with a poem, then he brakes down and cries,
Smiles a crooked smile, with his broken cheeck-bone side.
Tells about his life, now he's 63.
He looks me in the eyes and says come and go with me.
He could walk on water, walk on water,
But you know he drowned himself in wine.
God and the devil, God and the devil, God and the devil along inside his mind.
It's a love song for Bobby Long.
A love song for Bobby Long.


7.4.10

gegen die wand | head on | contra a parede

I feel you

Your sun it shines

I feel you

Within my mind

You take me there

You take me where

The kingdom comes

You take me to

And lead me through Babylon

This is the morning of our love... It's just the dawning of our love

5.4.10

filled with secrets



Desde que li na Uncut (por conselho alheio, que não é periódico da minha lide habitual) uma entrevista ao David Lynch e ao Mark Frost a propósito da genial criatura que ambos pariram: Twin Peaks, em que admitiam a possibilidade de a misteriosa Laura Palmer ser inspirada na não menos indecifrável Marilyn Monroe, desde esse momento que a minha cabeça anda a mil! Não que eu andasse a ler tudo o que o Lynch alguma vez tenha dito sobre a série, à procura de respostas, mas, ainda que desatenta, a verdade é que nunca me tinha chegado nada que me ajudasse a compreender (melhor) a Laura Palmer. Quando li as tais palavras, e cito: The "other thing" [Twin Peaks] had one or two aspects in common with Godess*, not least a doomed blonde fated to die at the hands of duplicitous characters, algo aconteceu. Parte do meu imaginário, a parte que é habitada pelo Bob, pela Laura, pelo Leland, pelo cheiro matinal de tarte e café no Double R, entre outros pormenores estruturantes da pessoa que sou hoje, estremeceu. It can't get more from the guts, i tell you. Não é nada de muito inteligível o que tenho para dizer sobre isto. Aliás o que tenho para dizer é isto: percebi, com estas sábias mas quase triviais palavras do Lynch, que, para mim, a Marilyn e a Laura são manifestações da mesmíssima complexa, angustiada, perturbada e múltipla pessoa ... e eu nunca me tinha lembrado disso. Foda-se.


*uma biografia de Marilyn por Anthony Summers.



....she is filled with secrets...

10.2.10

plain song

Sempre me obriguei a ser alguém que não era. quero dizer: nunca soube muito bem quem era, no fundo, daí achar sempre que estava a fingir. Quando me falavam sobre mim soava-me sempre estranho e descabido, não por falta de sensibilidade das outras pessoas, mas porque eu própria não me reconhecia. Não me conheço. Não sei os meus limites. Não prevejo as minhas reacções. Adoro conhecer e falar com pessoas que são 100% seguras de si, absorvo tudo o que posso e às vezes acho que consigo ser assim, mas é tudo camuflagem, postiço. De fora para dentro. Na verdade é isso: sou camaleão: imito o que me rodeia. Se for preciso sou descontraída, desbocada, brejeira; noutra situação serei formal, pudica, diplomática. Não sei qual das duas me é mais natural. Volto a dizer, não me conheço. Quando tentamos viver em paz connosco próprios e com as pessoas que fazem parte das nossas vidas estes solavancos agigantam-se. Colossais monumentos ao que não devíamos ser (e intrinsecamente somos).
O verso do António Variações "são tudo fantasias que o cinema projectou no meu olhar" veste-me à medida. Sendo "o cinema" tudo o que vi(vi) ao longo da vida, as pessoas, as situações, os problemas, os filmes, os romances, os poemas, as palavras que esbarram quando somos rios a querer desaguar... Tenho a sensação de que sou um molde construído de fora para dentro, sem nada de meu cá dentro. deve ser normal. deve ser normal não querer viver isto de vez quando.

14.11.09

pergunta-faca

Isto de andar às voltas com o que se passa cá dentro não é saudável de todo, disse o velho sentado no banco à adolescente que lhe propunha um jornal gratuito. Não quer o jornal? perguntou, confusa. Há muitos anos que tento compreender por que razão abandonei os meus objectivos tão cedo, se é que alguma vez me movi com eles no fim da rédea. Talvez até nunca sequer os tenha domesticado. A rapariga hesitou em ir embora ou aceitar o cargo de estranha ouvinte para que tinha sido subitamente eleita. Querer o mundo inteiro por dentro, não é como querer ser médico ou advogado. Não há anos de estudo que se possam estoicamente desfiar até chegar ao título. Não se sabe qual é o caminho, vadia-se na vida e no mundo à espera que a estrada debaixo dos pés se faça andante e nos mostre o que desejamos ver. É duro, é doloroso e deixa um amargo de boca que entra pela língua e emana pelo corpo todo. A rapariga já pousara os jornais e sentava-se lentamente a seu lado. Descobrir cedo que se é um homem sem rumo é triste, principalmente porque a insensatez adolescente ludibria-nos e faz-nos acreditar que não ter rumo é ter todos à disposição. Não é. Quis tudo porque não tinha nada. E continuo sem nada? podias perguntar-me, se pensasses. Tenho isto para te dizer: é alguma coisa. Tenho a voz. Tenho o que trago nas mãos que não é mais que a força que trago nos braços. Essas palavras que trazes aí impressas também dizem isto tudo que eu estou aqui a dizer, não há nada de novo. Pelo menos cá fora, não há nada de novo, mas depois há o cádentro, dentro de cada um, a vida secreta de cada um é um universo paralelo. Essas palavras têm vidas secretas dentro que se translêm quando fechamos o jornal e deixamos dois minutos para pensar naquilo. A rapariga olhava-o sem compreender. Não podes compreender o que te digo, reconheces o som das palavras mas desconheces a lógica que as une. Que não é sintáctica, é vivencial. Contra isso nada se pode. A rapariga baixou os olhos, corada e ainda mais confusa formulou a pergunta possível: nunca foi feliz? O velho olhou-a magoado, levantou-se e foi-se embora. Deixou-a sozinha com a pergunta que tinha tanto de ingénua como de faca afiada. Caminhou com as mãos nos bolsos, cabisbaixo e a desejar nunca mais encontrar ninguém na vida.

10.9.09

I declare that the beatles are mutants II

Um dia atrasada, mas ainda com a febre alta da nova edição de toda a discografia beatliana remasterizada, aqui fica a homenagem.
Como diz o MEC, e mais uns milhões de pessoas, eles vão viver para sempre.



(ri às garagalhadas quando vi isto a primeira vez. como há muito não fazia)

25.5.09

L. Garrel

(reminder: percurso até agora imaculado, a seguir)

29.4.09

dans paris

Depois de rever de battre mon coeur s'est arrêté quero (re)ver este. mais do que os realizadores, os actores são as minhas meadas nas escolhas cinéfilas. tento não as perder.

20.4.09

fraquezas

(aumentem, por favor, que isto não é nada)


A julgar pelas réplicas que recebo quando falo no assunto, percebo que isto é uma fraqueza.

Gostar de x-men não é socialmente aceitável, principalmente quando: a) já ultrapassaste os 25; b) sabes ler e escrever; c) não grunhes quando tentam comunicar contigo.

Como considero que me estou a cagar para o socialmente aceite, tenho a declarar que o Wolverine é e será sempre o meu herói. Não me venham com merdas!

Posso gostar dele e do Tabucchi, que o meu cérebro não entra em colapso

.

25.11.08

La frontière de l'aube - Philippe Garrel- 2008

De quando em quando pensa-se o que afinal de contas se anda aqui a fazer debaixo do sol, na maior parte das vezes, saracoteada pelo vento e pela chuva, na menor parte. Quando se levanta o véu da rotina e se olha por baixo para ver o que de facto se passa cá dentro pode ser assustador. Nós, andarilhos durante o dia, trabalho casa, casa trabalho (sendo que o tempo em casa é para descansar do trabalho do dia e temer o trabalho do dia a seguir) ficamos viciados nas funções cerebrais que usamos diariamente e esquecemo-nos das outras. Que outras? Tudo o resto. O cd que se quer ouvir, o filme que se quer ver, a conversa que se quer ter, o abraço que se quer dar, o prato que se quer cozinhar(?), o amor que se quer dar, tudo coisas absolutamente viscerais para nos sentirmos vivos e que são colocadas num quase inconsciente hold indeterminado. Quando damos por nós, não tendo alimentado o coração e o que resta de uma gana meio esquecida, temos um buraco negro em vez destes orgãos vitais. Que fazer então a este sal que não salga? Recentemente vi o último filme de Garrel: La frontière de l'aube e devia ter caído logo em mim como uma revelação, mas não caiu logo, caiu mais tarde. E uma revelação tardia, devo admitir, tem um sabor ainda mais apurado. Havia uma mulher que fazia o que queria, que amava quem queria, que tinha o que queria. Enlouqueceu. Suicidou-se. Havia um homem que amou essa mulher, teve tudo o que quis, mas quando ela enlouqueceu ele não quis e afastou-se. Ela voltou dos mortos e assombrou-o na sua culpa muito viva. Suicidou-se. O que tem isto a ver com o início do meu raciocínio? O seguinte: se eu tivesse a vida que queria o que queria e de repente o homem que eu amasse me abandonasse e eu ficasse a olhar as paredes e a gritar aos meus ouvidos, suicidava-me. Por outro lado, não tendo tudo o que quero, não fazendo quase nada do que quero, mas tendo a pessoa que quero, esqueço-me de viver. Vantagens: lembrei-me agora. Desvantagens: será que ainda vou a tempo?


Este texto confuso e quase imperceptível para os seres que vivem fora da minha cabeça, nem a mim me fez sentido depois de uma segunda leitura, contudo, soube-me bem escrevê-lo, assim com um leve mas assertivo sabor a redenção. e, god knows, eu estava mesmo a precisar de uma.


20.11.08