15.6.09

até amanhã

As palavras que se dizem entre álcool e fumo ganham asas e fogem. Ficamos com a ideia de que foram, na sua breve existência, geniais, só porque ajuda a alimentar o mito. Sim, o mito. A nossa vida só faz sentido a prestar contas a sucessivos pequenos mitos que vamos alimentando com ar e imaginação. Se não fossem eles, muitas vezes nem sequer nomeados, muitas vezes apenas latentes nalgum canto da nossa memória, tudo seria branco ou preto, nem a coexistência das duas cores seria permitida. As conversas são linhas que se atam e desatam, que experimentam novas combinações, que se enrolam às pernas, que articulam os dedos e os gestos, que puxam o sorriso, que pescam lágrimas, que atam nós na garganta e no estômago. Tudo mitos> mentiras> histórias> lendas> conversas. Deixa tudo de existir (ou apenas voam para longe) quando pousamos o copo e vamos para a cama. Até amanhã (mesmo que longe demais).


(se este fernando cunha não estava tão melhor a fazer isto...)

2 comentários:

J.R. disse...

Nada pesa quando existe. Mesmo aquilo que pesa,vamos la... uma história com 23quilos e 400 vai pesar perto de 50 quilos à distância de alguns anos e e sob uma série de camadas corticais.
Despois chega a altura em que começam a existir demasiados cafés e conversas e cigarros e as histórias continuam as mesmas.

O residente disse...

Curiosamente os Resistência não são muito lembrados pelas gerações mais novas. Não sabem o que perdem. Foi mais um dos projectos do genial Pedro Ayres Magalhães em que este consegue duas coisas que estão reservadas a muito poucos: qualidade e sucesso comercial.

Os dois álbuns que lançaram (Palavras ao Vento, 1991 - Mano a Mano, 1992) estão entre os melhores da música portuguesa dos últimos 20 anos.