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6.3.09

Ciro e os lídios

Só quem for surdo não ouve o que dizem os animais, uma vez no cativeiro, dão evidentes sinais do conhecimento que têm da sua desgraça e deixam ver perfeitamente que se sentem mais mortos que vivos, continuando a viver mais para lamentarem a liberdade perdida do que por lhes agradar a servidão. (...)
Esse estratagema com que os tiranos embrutecem os súbditos está, mais do que em qualquer outro lado, explicitado no que Ciro fez aos lídios depois de se ter apoderado de Sardes. Fundou nela bordéis, tabernas e jogos públicos, mandando apregoar um decreto em que obrigava os habitantes a frequentá-los. Tão bons resultados teve esta guarnição que foi desnecessário daí em diante levantar a espada contra os lídios. Os desgraçados divertiram-se a inventar toda a casta de jogos.*

O ser humano não tem, na sua natureza, a liberdade.
E esta é uma das constatações mais tristes que fiz até hoje.

*in La Boétie, Discurso sobre a Servidão Voluntária

30.10.08

my own private caos*

Declaro, não muito solenemente, que a partir de agora os posts deste blog vão ter etiquetas. Esta resolução surge não porque algum leitor atento me tenha pedido (imagine-se!), mas como parte de um processo de compartimentação interior a que me dedico há algum tempo. Tudo tem um ritmo e um lugar próprios. A organização chegou-me ao alpendre aos 27 anos, será que ainda vou a tempo de arrumar tudo?

Espero que não.

O meu lugar sempre foi do lado do caos.

*já agora sento-me humildemente ao lado de toda a gente que já usou este "my own private... anything" porque sou uma pessoa pouco original. uma das minhas piores qualidades é reconhecer-me constantemente nos outros.