19.6.07

Some of the voices inside my head...


Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios. Rompi com o mundo, queimei meus
just the strange kind of nothing where there used to be me.
navios... Me diz pra onde é que inda posso ir.

No meio do caminho...

Gritos, berros de poesia, espasmos de cores em quadros inesperados, cartolas e fraques em
gestos de desaprovação, uniformes a querer segurar toda esta loucura, que se espalha como areia, numa jaula de barras largas. Quatro nomes: Oswald, Mário, Tarsila e Anita. Era assim que imaginava a Semana de Arte Moderna de 22, tinha 12 anos.

... tinha uma pedra.

Talvez até tenha futuro, não sei, talvez a segunda melhor coisa que se consegue a seguir a um
I hate darkness and sleep and night and lie longing for the day to come.
grande amor é viver na teimosia de o ter perdido.
Here is another day, here is another day, I cry as my feet touch the floor.

Anseio com uma angústia de fome de carne

Eu queria ver a Teresa no fundo da Teresa, no seu mais desvão, mito fortuna, na anatomia do sexo durante o sexo, na pela húmida, tensa, túrgida. Ali eu ainda estava meio tímido, mas depois aprendi a contemplá-la com os dedos, com a língua, toda inteira_ toda inteira mas sempre me faltava alguma Teresa. Sempre, algum recôndito aonde não chegava meu desejo, meu pensamento, meu olhar, minha intenção, minha língua, meu sexo, o que fosse.



...O que não sei que seja.

Desperdiçar aquilo que se tem por um laivo de esperança numa paixão assolapada é o que tenho
Blue, here is a shell for you
feito nos últimos tempos da minha vida. Escusado será dizer que de tanto desperdiçar, já não
Inside you'll hear a sigh
tenho nada. Nada. Insisto nos bolsos, procuro, mas desconfio que estão rotos e tudo foi embora
A foggy lullaby
sem eu sequer ter notado. Onde terei perdido tudo o que tenho? Tinha. Onde estará tudo o que
There is your song from me
eu tive?

Cortaram os trigos. Agora a minha solidão vê-se melhor.

Vou-me sentar aqui, respirar até doer as coisas possíveis nunca reais. Aprender, nó a nó, como
It may be a bruised day, an imperfect day.
te soltas;

Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!

A labareda. Uma labareda que se desencadeia na cabeça nova arquitectada ao cimo do corpo, que afronta o mundo e o devasta como a vinda de Deus: a maneira demoníaca que Deus tem de arrombar as portas, quando toca com os dedos para se anunciar.
Então KZ abandonou tudo, e desapareceu. Deixou dito: Vou procurar um coelacanto. E nunca mais voltou, nunca mais voltará.


4 comentários:

Lili disse...

Achei-te... agora não te largo.
qualquer dia com mais paciência, qualquer coisa com mais sentido...
see you latter doll.

querercoisasimpossiveis disse...

"The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'till I'm sane.
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me."

Roger Waters

OnThePage disse...

diario(I): se agisse mais de acordo com aquilo que sinto e menos com aquilo que os outros esperam de mim, tinha-me sentado no chao sujo ao seu lado e tinha-lhe dito: pago-te um cafe se me contares tua vida. tinha evidente no rosto uma historia qualquer, nas maos um cartao onde se lia "pour manger et rester propre". eu achei aquilo profundamente triste. parecia-me um homem honesto, a mendigar uma existencia decente. conta-me a tua vida numa lingua qualquer, eu tambem ando perdida por aqui. la no meu pais, meti-me numa caravela a procurar nao sei o que. aconteceu-me acabar aqui. tenho como me alimentar e onde me lavar, mas dava tudo para nao ser quem sou. dentro de mim, nao ha nada (nada nada nada) que me pertenca. conta-me a tua vida, mendiguemos juntos.

Rosa disse...

Para quando a publicação do diário?